Canada Vancouver
Na costa oeste do Canadá, entre montanhas e lagos,
há uma pérola de cidade que dificilmente deixa de agradar ao mais
exigente turista. Maior cidade deste lado do país, ela parece ser
aquele lugar em que todos gostaríamos de viver: Limpa, calma, segura,
agradável e bonita: Vancouver.
Ah sim, o clima de Vancouver não é exatamente
nenhuma Brastemp, mas afinal de contas, aí também seria pedir demais.
Percebemos isso logo que cruzamos a fronteira entre Estados Unidos e
Canadá, na estrada 99. O tempo que já estava frio, tornou-se gelado, e
o vento, já forte, começou a insistir em nos levar para onde não
queríamos. E a moça do posto de gasolina, com um sorriso no rosto ao
saber que éramos brasileiros, ainda dizia que aquilo não era nada
comparado ao inverno que se aproximava. Menos mal que dia seguinte,
quando fomos visitar a cidade, tudo estava mais calmo. Que nos desculpem
os vizinhos americanos, mas mesmo estando pouca coisa ao norte da
fronteira, Vancouver é muito melhor que as cidades do lado de lá. Para
começar, aqui vê-se gente caminhando pelas calçadas, ruas decoradas
com flores e um ritmo diferente em todos, que nos faz perceber que esta
é uma cidade construída não para automóveis, mas sim para pessoas.
Ficamos hospedados num Days Inn parto do aeroporto, e
nosso trajeto para o centro passava sempre pelo belo subúrbio de
Oakridge. O coração de Vancouver está situado num tipo de península,
entre as águas do False Creek e Burrard Inlet, sendo que as avenidas
principais Seymour St e Howe St correm de um extremo ao outro, repletas
de lojas, restaurantes, estacionamentos, bares, cinemas e muita gente
pelas calçadas. Quem estiver interessado numa visão geral da cidade
antes de passear por conta própria pode embarcar num destes simpáticos
ônibus de dois andares. Por uma taxa fixa você pode descer em qualquer
uma da paradas, visitar o local que quiser, e depois embarcar no
próximo da linha e seguir seu roteiro. O ponto de partida fica junto ao
Canada Place, bem em frente ao terminal marítimo
Além de conhecer o centro e principais atrações,
temos por habito percorrer também as regiões fora dos roteiros
turísticos, porque geralmente nelas é onde está a verdadeira
essência de cada lugar. Há uma área residencial popular situada no
subúrbio de Oakridge, situada ao sul do centro. A região de
residências nobres fica a oeste do centro, nos bairros de Point Gray e
adjacências. Em nenhum momento vimos, em lugar algum da cidade,
mendigos, crianças abandonadas, ou imagens de violência ou
insegurança de qualquer tipo. A sensação de tranqüilidade e paz
parece estar presente em todos os lugares da cidade.
A loja Hudson's Bay Company é uma das principais
loja de departamentos do Canadá, e seus restaurantes tem ótimas e
baratas refeições, tipo bandejão, bem ao estilo inglês. Aliás, a
semelhança com coisas da Inglaterra é sentida em vários lugares por
aqui. A imagem mostra um prédio de estacionamento do centro. O
estacionamento no centro não é caro, bastando entrar, comprar um
ticket numa das maquininhas automáticas e expor o cartão no
pára-brisas.
Não tínhamos dólares canadenses ao chegar no
Canadá, mas acabou nem sendo preciso. Durante nossa visita bastou o
cartão de crédito, até mesmo nas máquinas dos estacionamentos. Em
alguns lugares você tem ainda a opção de pagar com dólares
americanos, aceitos em diversos locais de Vancouver.
A Canada Place concentra diversas atrações, como um
cinema IMAX com tela de cinco andares, hotéis, restaurantes, centro de
informações turísticas e hotel (caro, não recomendamos). A pouca
distância está situada Gastown - considerada o local de nascimento de
Vancouver - um local muito agradável, onde predominam prédios de
arquitetura antiga mas muito bem conservada, pequenos bares e lojinhas
simpáticas. O tipo do lugar gostoso para uma caminhada sem destino
certo. Seguindo depois o passeio em direção leste, chega-se a
Chinatown, onde o destaque é o jardim chinês Sun Yat-Sen. Embora
jardins chineses estejam presentes em diversas cidades da costa - haja
vista a maciça imigração oriental em toda costa leste do Canadá e
Estados Unidos - o de Vancouver é especialmente bonito e merece ser
visitado.
Aliás, em certos bairros de Vancouver, tivemos a
impressão de estar passeando em alguma cidade do Oriente. Lojas,
mercados, placas, cartazes, tudo estava escrito naqueles típicos
caracteres orientais e só víamos pessoas com olhos amendoados pelas
ruas. A avenida 3rd, próxima ao aeroporto, é um destes lugares, e
serve como exemplo da forte presença oriental nesta parte do Canadá.
Esta bela vista da ponte Lions Gate foi feita de um
mirante de Stanley Park. Para nossa surpresa, todos os estacionamentos
deste espaçoso parque são pagos, coisa que até os turistas americanos
estranhavam. O Stanley Park é a principal área verde da cidade, e tem
diversos recantos belíssimos, áreas de lazer, aquário, jardins
floridos, marinas e totens indígenas, entre outras atrações. É o
lugar certo para uma caminhada relaxante ou um picnic num dia de verão.
No dia seguinte atravessamos esse parque e seguimos em frente, pegando a
ponte para conhecer North Vancouver, onde estão algumas atrações
imperdíveis, como Grouse Mountain.
Situada a apenas 20 minutos de carro, Grouse Mountain
é um lugar super concorrido durante o inverno, graças à sua pista de
esqui e à toda infra-estrutura para esportes de neve. Mas mesmo sem
neve é um lugar muito bonito, situado entre as montanhas, onde se pode
sentir a natureza de perto, percorrer suas trilhas, e ver de perto
animais selvagens característicos desta região. Uma das coisas mais
emocionantes na visita a Grouse Mountain é justamente o acesso ao topo
da montanha, a bordo de um teleférico que parece ir raspando o topo das
escarpas.
Se sua visita a Vancouver acontecer durante o inverno
e você quiser praticar de esportes de neve, terá ainda outra boa
alternativa, a Cypress Mountain, que a exemplo da anterior, dispõe
também de pistas de esqui, snowboarding e todas as coisas do gênero.
Não vimos neve durante nossa visita, mas fica aqui a sugestão.
Ainda em North Vancouver, outro ponto que não pode
ser esquecido é Capilano Suspension Bridge. Este parque tem muitas
coisas interessantes para serem vistas, como por exemplo o parque de
totens (ao lado). A tradição da confecção de totens esculpidos em
madeira surgiu entre as antigas civilizações que habitavam a costa
oeste do Canadá. Os antigos artesãos esculpiam figuras representando
peixes, aves, criaturas sobrenaturais, sempre colocando uma sobre a
outra. Os totens tinham como função homenagear pessoas, relembrar
eventos, comemorar datas importantes, demarcar sepulcros ou simplesmente
exercer funções decorativas. Até hoje estes Totens Poles podem ser
encontrados em centenas de localidades do Canadá e permanecem um
atrativo irresistível para fotos com turistas.
Mas a principal atração de Capilano Suspension
Bridge é, evidentemente, a Ponte Suspensa Capilano (ao lado).
Construída em 1889 ela já teve diversas versões, sendo que a de hoje
em dia é a quarta versão. A ponte Capilano atravessa o espaço a 75
metros de altura (equivalente a um prédio de 25 andares) e tem 150
metros de extensão, o que lhe confere o título de mais longa ponte
suspensa do mundo para pedestres. A ponte divide o parque ao meio, e
enquanto do lado de cá estão situadas a entrada, restaurante, parque
dos totens e loja, do lado de lá estão lagos, recantos naturais e um
interessante passeio em passarelas suspensas, apoiadas no tronco das
árvores. Este trecho, batizado de Living Forest, permite aos visitantes
interagir com o natureza sem comprometer as seculares árvores. Entre
estas destaca-se Big Doug, com 350 anos de idade e 60 metros de altura.
Estima-se que Big Doug continuará crescendo até o século 27.
De volta a Vancouver não esqueça de visitar
Cathedral Square, um agradável parque situado no centro da cidade, e
também a Cathedral of Our Lady of the Holy Rosary, igreja em estilo
gótico famosa pelos vitrais e pelos gigantescos sinos. Visite também
Robson Street, o badalado corredor comercial da cidade, onde estão
situadas a Virgin Records e a HMV. Se preferir barganhas vá até o
trecho norte da Howe Street, onde situam-se algumas lojinhas tipo tudo
por um dólar. Não deixe de visitar o centro comercial Granville Mall,
situado entre as ruas Howe e Seymour. Lá estão lojas de departamento,
pequenas butiques, fast food, etc etc. Ao lado, painel de propaganda de
emissora local de TV.
Uma caminhada pelo centro de Vancouver revela uma
eclética mistura de prédios clássicos e modernos. Entre os clássicos
destaca-se o Hotel Europe, praticamente um dos símbolos da cidade.
Construído em 1908, ele foi durante décadas considerado o melhor hotel
de Vancouver. Atualmente tem a burocrática função de abrigar
escritórios governamentais, mas ainda conserva a elegância do estilo
italiano. Outro prédio imponente é o Fairmont Hotel Vancouver, que
mais lembra um chateau medieval. Depois caminhe até o Public Market, o
mercado público de Vancouver, onde estão produtos diversos desta
região, frutas, peixes e conservas, onde é inevitável sentir aquela
vontade de provar um pouquinho de cada coisa. E não esqueça de
conhecer também Granville Island, considerada o coração cultural da
cidade, onde estão teatros, galerias, artistas e bares.
Quem aprecia atrações cientificas vai adorar
também o Pacific Space Centre. Este moderno complexo dispõe de
planetário, observatório astronômico, e exibições interativas
simulando um passeio pelo espaço. Especialmente interessante para quem
está acompanhado de crianças. Como está situada junto ao Oceano
Pacífico, Vancouver tem muitas histórias ligadas ao mar, por isso seu
Maritime Museum é igualmente um prato cheio sobre o assunto. E ainda
falando de museus, vale citar também o Vancouver Museum, que enfoca
principalmente a história da cidade e sua cultura. E se você está
procurando por um hiper-mercado, o lugar certo é o Superstore, maior
rede do gênero no Canadá. Esta rede tem vários endereços, tanto em
Vancouver, como em todo Canadá. Era lá que fazíamos nossas compras, e
além de ter de tudo, os preços são muito bons. Ao lado, um dos
diversos estacionamentos verticais do centro da cidade.
A parte superior da Harbour Centre Tower Lookout mais
parece um disco voador. O nome pomposo designa a principal plataforma de
observação da cidade. Foi inaugurado em 1977 pelo astronauta Neil
Armstrong - primeiro homem a pisar na lua - e desde então permanece
como o prédio mais alto de Vancouver, com 170 metros de altura. Seus
elevadores levam os turistas até a plataforma superior em poucos
segundos, de onde se tem uma vista privilegiada desta bela e agradável
cidade. Em resumo, o que podemos dizer sobre este lugar é que os
Canadenses, em particular os da região de British Columbia estão de
parabéns, pois construíram uma cidade desenvolvida mas que permanece
humana; grande mas segura, e ainda com uma qualidade de vida invejável.
Sem dúvida, uma cidade que poderia servir de exemplo para muitos outros
lugares.